Tendinopatia de Aquiles: Onde as órteses se encaixam no tratamento
A tendinopatia de Aquiles é dor, rigidez e por vezes espessura do tendão de Aquiles, comum em corredores e pessoas ativas. Geralmente surge quando a carga no tendão supera a sua capacidade de adaptação. Compreender este facto molda todo o tratamento — incluindo o papel realista das palmilhas.
Pilar fundamental: exercício de carga
O melhor tratamento comprovado para a tendinopatia de Aquiles é um programa progressivo de carga tendínea (como exercícios de fortalecimento dos panturrilhos) que reconstrói gradualmente a capacidade do tendão. Esta é a parte com a base de evidências mais sólida, e nenhuma palmilha o substitui.
Onde se encaixam as orteses e o suporte de calcanhar
As palmilhas têm um papel de apoio, não um papel principal:
- Elevações de calcanhar / levantamentos de calcanhar podem reduzir temporariamente a tensão no tendão de Aquiles ao alterar ligeiramente a posição do tornozelo, o que pode aliviar os sintomas durante a fase irritativa.
- Orteses plantares podem ajudar algumas pessoas, particularmente quando a mecânica do pé parece contribuir para a carga. Um ensaio randomizado de orteses plantares personalizadas adicionadas ao exercício padrão para a tendinopatia de Aquiles descobriu que eram geralmente bem toleradas, embora não tenham proporcionado benefícios adicionais significativos em comparação com apenas o exercício (Munteanu et al., 2015).
A interpretação honesta: as orteses e o suporte de calcanhar podem ajudar no conforto e na gestão da carga para algumas pessoas, mas são um coadjuvante ao programa de carga, não um substituto.
Uma abordagem sensata
- Gestão da carga — modifique (não pare necessariamente) a atividade que agrava os sintomas.
- Carga progressiva de panturrilhos/tendão — o núcleo da recuperação.
- Medidas de conforto — suporte de calcanhar ou palmilhas se ajudarem a aliviar os sintomas.
- Paciência — os tendões adaptam-se devagar; a recuperação é frequentemente medida em meses.
O que evitar
Perseguir apenas soluções passivas (palmilhas, massagens, aparelhos) enquanto se omite o trabalho de carga tende a decepcionar. A mecânica apoia o exercício — não o substitui.
Quando consultar um profissional: dor súbita e intensa, sensação de ter sido "chutado" no panturrilho, incapacidade de desapontar o pé ou uma lacuna palpável no tendão podem indicar uma rotura e necessitam de avaliação urgente. A tendinopatia persistente também se beneficia de reabilitação orientada.
Referências
- Munteanu SE, Scott LA, Bonanno DR, et al. Eficácia das orteses plantares personalizadas para a tendinopatia de Aquiles: um ensaio controlado randomizado. Br J Sports Med. 2015;49(15):989–994.
- Alfredson H, Pietilä T, Jonsson P, Lorentzon R. Treino excêntrico de músculos da panturrilha com carga pesada para o tratamento da tendinose crónica de Aquiles. Am J Sports Med. 1998;26(3):360–366.